Quanto mais remoto
Mais cresce meu querer.
Ao se aproximar vem, além de você,
A discordância entre o meu
E o seu querer;
Dou-te meu tudo, queres metade - quando não menos, ou nada.
Mas o “tudo”, para ser tudo, deve incluir também o nada.
Mesmo nada querendo, com o tudo que lhe dou
Ganhas o nada, e satisfaz sua vontade.
E o que ganho?
Pranto, lástima, revolta…
E nunca o que quero - e preciso.
Tristes são os extremistas, que
Entre o 0 e o 1 nada veem.
Se entregam sempre, inteiros, a quem
Com olhos [f]racionais,
Entre o 0 e o 1, veem um universo.
Da ideia inicial
Restou a mágoa
E desta, a lição;
Só se aprende vivendo, logo
Viver é sofrer.
Mas mais importante que sofrer
É evitar -
De todas as formas! -
Receber da vida -
Tirana vida! -
A mesma lição
Mais de uma vez.
Futuros protagonistas choram a irreparável perca…
Descansa, descansa, alma vívida
Já nada te prende ou limita…
O cárcere celular chegou ao fim.
Seus pecados, redmidos
E seus ensinamentos eternizados
Nas mentes dos futuros protagonistas.
Oh, vida!
Aprenda a ouvir minhas vontades
E a realiza-las corretamente!
Peço-te pouco, dá-me muito;
De ti quero um ponto final,
Vem e aplica-me reticências…
Me cega seu sorriso;
Sorriso feito quasar.
Faz da mentira, verdade
Com seu olhar de sinceridade.
Sua pele macia
Me fascina
E só faz me apaixonar.
Como posso estar eu
Vivendo sem te tocar;
Não poder te acariciar
É como viver sem respirar.
Quero agora te dizer:
Cansei de esperar!
Não posso mais viver
Sem sua beleza singular.
Quero poder sentir seu cheiro
O gosto de seus lábios
O calor de teu corpo
Ser soberano em seus pensamentos
Dono de seu coração
Seu amigo
Seu companheiro
Seu namorado
Seu amante
O anjo de suas orações
O príncipe de sua história
Sua salvação
Sua perdição
Seu tudo
Seu nada
Poder dizer que sou realizado
Ter você em meus braços
Amar, e ser amado
Ter realizado o sonho de Adão
Mas só o tempo dirá
O que está a me esperar
Se uma história poderei cumprir
Com você, a me inspirar
E isto só acontecerá
Se você me deixar
Entrar no paraíso
Que é seu coração.
Quando alguma vontade que se tem, é realizada
Deixa der ser vontade e torna-se nada.
Eu vontades tinha, e continuaria as tendo
Caso algo estivesse ocorrendo.
Agora, as vontades que tenho
Tenho as em mim, para mim e sobre mim
Um egoismo tardio, me domina
Nada quero, nada desejo, a não ser eu
“E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.”
Arre!, chega de tentar mudar o imutável
Amar o inamável
Desejar o indesejável
E começar a apegar-me à imagem de Narciso
Tentando enchergar-me
Admirar-me
Amar-me
Bastar-me a mim mesmo
E, no final, afogar-me em meu reflexo
Já que não haverá mais esperanças…
No momento, minha vontade é ser boemio
Boemio é minha vontade de ser
E viver sobre o que tenho
E não para o que não voltarei a ter…
